Ambiente na mídia nº 1

Este é o primeiro boletim "Ambiente na mídia", que tentarei publicar semanalmente. Tive essa ideia pois acabo lendo muitas notícias e artigos, e às vezes noto um fio condutor, um contexto que não aparece individualmente.

A seleção é completamente pessoal e subjetiva, não tendo a pretensão de ser um apanhado representativo de tudo que foi publicado. Em particular, os assuntos mais óbvios — como a atual política de destruição da Amazônia — já têm exposição suficiente e não serão replicados.


Há uma pauta verde sendo discutida na Câmara dos Deputados, que inclui o projeto de lei para declaração de emergência climática.

Apesar de simbólica, essa declaração é mais importante do que parece. Se puder, apóie o projeto assinando esta petição.

Aqui estão mais alguns motivos de porque isso é importante.


Está se falando falando bastante sobre o uso de energia renovável do ponto de vista do lucro: para indústrias, isso já é mais barato que a convencional energia 'suja' (sobre o quão hidrelétricas são 'limpas', vale ler "Além do mito das barragens como “energia limpa” ").

No Estadão, Celso Ming comenta sobre o Magazine Luiza, que está passando a usar energia solar não exatamente pelo meio ambiente, mas para reduzir custos. E também sobre o modelo das fazendas solares, que distribuem energia na rede com custo menor que o convencial.

Também nessa linha: Empresas apostam em energia renovável

Apesar disso, o investimento em combustíveis fósseis (que são o grande responsável pela atual catástrofe climática) continua a todo vapor. Como a tecnologia para uma transição limpa existe e pode ser implementada já, fica claro que isso não acontece por causa de interesses que não são o da humanidade em geral (aliás, dá para dizer que o espírito corporativo-político-extrativista é algo humano?).


Os 10 fazendeiros que mais desmataram a Amazônia nos últimos meses

Li por cima essa matéria da Veja. Parece uma que o ótimo Intercept publicou em janeiro:

Os desmatadores

Ainda sobre Amazônia, uma leitura longa que vale a pena, dando todo o contexto histórico da atual catástrofe:

Amazônia, problema é omissão; queimadas, consequências

Achei também curioso um editorial do Estadão condenando o desmatamento, porque dias antes, um outro editorial reclamava que o atual governo não é "liberal" o suficiente — por "liberal", entenda-se dar carta branca para as empresas fazerem o que quiserem. Afinal não é esse o motivo de estarmos perdendo as florestas para as empresas?


LÁ FORA

Um interessante artigo da New Republic, defende a ideia de que pararmos de comer carne será crucial para cumprirmos as metas de redução de emissão de CO2 (para evitarmos um aquecimento global catastrófico).

A lógica é a seguinte: segundo a ONU, temos que reduzir as emissões em 8% todo ano até 2030. A Covid-19 mostra que esse tipo de redução drástica é possível, mas com consequêncicas graves para a economia.

Como manter essas reduções, sem um desastre econômico?

Acabando com o desmatamento e reflorestando. Obviamente, para isso acontecer, é preciso uma redução drástica no consumo de carne, que é responsável por boa parte do desflorestamento.

Sobre isso, um bom meme para divulgar nas redes:

da página Árvore, Ser Tecnológico.


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