Ambiente na mídia #8

Compromisso ambiental é bom para vender. Na prática, a destruição continua.

Imagem: Matt Kenyon, Financial Times


Dá para acreditar nos pronunciamentos ambientais de empresas se comprometendo com metas de descarbonização, preservação, sustentabilidade etc?

Um artigo interessante sobre isso:

Apesar de alguns compromissos serem melhores do que outros, qualquer estratégia empresarial tem como objetivo final vender. O complicador é que nossa predisposição para comprar algo influencia se acreditamos ou não na empresa. Por exemplo, quem adora carros tende a acreditar em um anúncio sobre carros elétricos salvando o meio ambiente.

Então, é preciso não apenas uma "lavagem verde". Sem o estímulo ao consumo constante, a máquina não funcionaria bem. Mas, tragicamente, hoje isso funciona melhor do que nunca. O pior é que no Brasil nem isso ainda — carros elétricos — estão sendo anunciados como a nossa salvação.

Em sua coluna essencial no Guardian, George Monbiot escreveu sobre como veículos elétricos não vão resolver nossos problemas. Basicamente, isso reduziria a poluição do ar, mas os impactos ambientais ainda seriam enormes.


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Cidades inteligentes

Uma solução mais razoável é repensar o planejamento urbano para que carros se tornem algo obsoleto, por exemplo com o projeto da "cidade de 15 minutos", que deve ser implementado em Paris, onde todos os serviços essenciais estão próximos de cada cidadão.

Assistindo recentemente ao documentário "Breakpoint: Uma história do progresso", fiquei surpreso em como essa tática de fabricar necessidades que não temos vem definindo as sociedades já desde o início da era industrial.

No caso, um consórcio de empresas ligadas aos setores automotivo e de combustíveis, comprou todas as companhias de bondes nos EUA no começo do século 20, fechou-as e, assim, definiu um planejamento urbano em que carros individuais passaram a ser bens essenciais.

Lucro irresistível

Ainda nessa linha, contrariando seus anúncios sobre redução de gases do aquecimento, na prática, as empresas desse ramo estão na verdade aumentando sua emissão, conforme um novo estudo apontou:

Nesse quesito pelo menos, não podemos reclamar da Petrobrás, que cumpre o que anuncia, infelizmente: vai aumentar a produção de gases do aquecimento, e não vai investir em energia renovável.

O círculo marrom se refere às reservas de combustíveis inexploradas (2017). O círculo amarelo é o quanto pode ser queimado para o aquecimento global se manter em 2°C. Empresas não conseguem resistir à tentação do lucro fácil e autodestrutivo. Imagem: DW


Essas empresas simplesmente ignoram a ciência que diz que para termos chance de assegurar um planeta mais ou menos habitável, as reservas de combustíveis fósseis precisam ser deixadas no subsolo, e não ter um aumento em sua exploração. Não apenas ignoram, mas precisam fabricar a dúvida sobre essa ciência.

Campanha contra vida continua

Descobriu-se também como as petrolíferas BP e Shell, apesar do compromisso público com o meio ambiente, continuam atuando para tentar "passar a boiada" no que se refere a cancelar regulamentações ambientais nos EUA e Austrália.

E dentro da lógica colonialista do "livre mercado", de transferir a exploração e a desova de lixo tóxico para países pobres com pouca regulamentação ambiental, a África do Sul está hoje entre as últimas fronteiras da economia fóssil, onde combustíveis do aquecimento estão vivendo uma explosão, em uma exploração sem limites.

Talvez possamos incluir o Brasil nessa lista também, com a Nova Lei do Gás tramitando no Congresso, que vai multiplicar a exploração do gás natural e a consequente emissão de gases do aquecimento global.

6ª extinção em massa

Sobre a atual extinção em massa em andamento no planeta, mais sinais alarmantes:

  • Em 30 anos, cerrado brasileiro pode ter maior extinção de plantas da história, diz estudo - “Se o índice de desmatamento do cerrado brasileiro se mantiver como é hoje - cerca de 2,5 maior do que na Amazônia -, o mundo pode registrar a maior perda de espécies vegetais da história.” >> Continue lendo

Sobre isso, se ainda não viu, confira o novo documentário da BBC, “Extinção: os fatos”.