Ambiente na mídia #3

Boletim semanal sobre as notícias ligadas à emergência climática e ecológica.

Imagem: Lalo de Almeida/ Folhapress

Desastre no Pantanal

O Pantanal está passando pelo pior desastre ambiental em décadas, devido a queimadas que já consumiram 10% do bioma, ou uma área do tamanho de oito cidades de São Paulo.

As causas são uma combinação de seca, desmatamento e a diminuição da fiscalização.

O que me chamou a atenção na cobertura da mídia em geral é o silêncio climático gritante: não se fala da causa dessa seca, as mudanças climáticas provocadas pela emissão de gases do efeito estufa.

E, enquanto se noticia esse desastre, há ainda pressão de empresas e de políticos para mais exploração de gás natural, um dos principais combustíveis fósseis responsáveis pelas mudanças climáticas e, consequentemente, pelo aumento desses incêndios (mais sobre gás natural adiante).

Outras notícias sobre isso:

Na Califórnia também, uma onda de calor sem precedentes está alimentando incêndios devastadores. Pessoalmente, conheço gente ali passando por constante evacuação, tendo que fugir do fogo.

Fim da Amazônia

Na mídia também, quando se noticia a destruição da Amazônia — que apesar de toda comoção, continua avassaladora — geralmente não há menção sobre as causas. As notícias sobre as causas vêm separadas e, muitas vezes, sem menção sobre os desastres que provocam. Algumas dessas causas e as notícias relacionadas:

Produção de carne e soja

Desmonte de órgãos de monitoramento

Impunidade de crimes ambientais

Retomada de obras invasivas

Retrocesso político

Volta ao “normal” suicida

Em nosso retorno ao destrutivo modo "normal" de vida, não apenas novos gasodutos serão construídos, mas com verba tirada da saúde e educação:

Estamos na mesma linha de Trump, que está desregulamentando a exploração de gás, para que os produtores não tenham que se preocupar com os vazamentos de metano, um gás do efeito estufa entre 20 e 80 vezes mais potente para o aquecimento global. Em inglês:

Mais notícias da "volta ao normal":

Pitada verde

Pelo menos há uma "pitada verde" nesse "normal":

Lá fora, até a Bloomberg, veículo do setor financeiro, está discutindo o "decrescimento": o conceito de que uma economia não necessariamente precisa crescer — a fixação nesse objetivo sendo na verdade a causa de nossa ruína.

Sinais da catástrofe

Ver tanta notícia ruim empilhada assim -- e isso se refere a uma semana apenas -- pode ser desesperador. Mas negar ou virar a cara não é uma opção razoável. Não são apenas os governos e empresas que precisam reconhecer a emergência e agir. Nós também. Então vamos lá:

Contaminação plástica

Imagem: Reuters

Calor sem precedentes

Consequências da mudança climática

Emergência indígena

Lá fora

Um novo estudo demonstra que efeitos da poluição são piores do que se imaginava. Mesmo se não houvesse mudança climática, só essas consequências já são motivo suficiente para abandornamos de vez os combustíveis fósseis.

Um trecho da reportagem:

"[Nos EUA] nos próximos 50 anos, manter o aquecimento global abaixo de 2ºC pode evitar 4,5 milhões de mortes prematuras e 3,5 milhões de internações. O custo para a economia dessas mortes é estimado em US$ 37 trilhões." (em inglês: https://www.vox.com/energy-and-environment/2020/8/12/21361498/climate-change-air-pollution-us-india-china-deaths)

Luz no fim do túnel

Confira também