A emergência de uma evolução

A atual catástrofe ambiental é uma crise que ameaça a civilização em todos os níveis. Precisamos usar o momento e dar o salto

Resumo: A atual catástrofe ambiental é uma crise que ameaça a civilização em todos os níveis. Está relacionada com todas as outras crises atuais, compartilhando a mesma causa: uma ideologia falida, que é o egoísta culto à acumulação de bens. Mas quanto mais difícil é a crise, maior é o potencial de transformação positiva. Precisamos nos unir para capturar o momento e evoluir. Ou nos resignamos à auto-destruição.
(publicado originalmente no Medium)

Nossa casa está em chamas (imagem extraída do curta “Guardians of Life” , XR & Amazon Watch)

Este texto é um chamado. Não há nenhuma ideia nova: é apenas a canalização, concentração e transmissão de um senso de urgente mudança que já paira no ar há anos, e vêm se intensificando.

Nós estamos vivendo um momento de crise e colapso em quase todos os níveis. Por “nós” me refiro a todos nós de verdade, não apenas aos que concordam comigo, ou ao retórico “(espero que sejamos todos) nós”.

Progressistas, conservadores, ambientalistas, industrialistas, esquerda, direita, religiosos, agnósticos… De uma forma ou de outra, todos concordamos que as dificuldades estão se empilhando de forma alarmante; nem que o perigo visualizado seja apenas o “inimigo” — àqueles cuja visão de mundo se opõe à nossa.

Nesse sentido, estamos todos no mesmo barco: o ativista anti-sistema acaba não sendo tão diferente do conservador passional (que não deixa de ser também alguém lutando contra aquele que considera como “inimigo”).

Então, é preciso reconhecer um denominador comum para superarmos essa crise de todas as crises. O fator comum é nossa humanidade, nosso medo, nossa angústia e frustração, a preocupante incerteza. Nossos sentimentos por quem amamos. Nosso desejo de que algo bom prevaleça.

Apesar dos diferentes conceitos sobre o que é “bom”, ninguém deseja aquilo que considera ruim ou mal. Mas imersos em nossa confusão, persistimos no erro. Todos “nós”.

Sou um monge budista, mas escrevo aqui em um perspectiva além de crenças ou “questões espirituais”. Religiões (ou tradições espirituais) não vão salvar o mundo, como diz o Dalai Lama. Já compaixão, bondade amorosa e altruísmo não são em si práticas religiosas. E o exercício dessas qualidades — que repousam no centro de cada um — em ações, partindo de dentro e transformando o exterior, isso sim evitaria nossa auto-destruição.

Não vou abordar o papel da espiritualidade mais formal nessa causa pois os líderes das principais tradições já estão fazendo o que podem. Por exemplo, o Papa Francisco, que inseriu o engajamento ecológico como um dever de todo católico na encíclica Laudato Si, em 2015. Do mesmo modo, o Dalai Lama ou Karmapa Orgyen Trinle Dorje, líderes do budismo tibetano que sempre destacam a necessidade de praticantes budistas se engajarem em ativismo.

O mais recente livro do Dalai Lama é basicamente uma convocação geral para esta causa (lista de referências no final do texto). Já Karmapa costuma enfatizar que praticar o budismo e não se envolver em ações de proteção ao meio ambiente é uma contradição, pois o sofrimento de um número massivo de seres está sendo ignorado.

Alarme
Nos últimos três anos e meio, vivi sem TV, internet ou telefone, em retiro estrito de meditação. As únicas notícias que recebi foram breves menções sobre política em cartas, e os comentários que mestres visitantes faziam sobre a situação do mundo. Deu para ver que estávamos afundando cada vez mais, mas não sabia quanto. Saí do isolamento e caí direto em outro retiro, forçado: o da pandemia.

Ao me atualizar com os acontecimentos, fiquei pasmo com a avalanche de desgraças. Sim, a pandemia está sendo algo sem precedentes, e a situação política no Brasil e no mundo, em geral, parece só afundar: ascensão do extremismo e autoritarismo, uso da fragilidade em momentos catastróficos para avançar ainda mais mecanismos exploratórios (“doutrina do choque”) etc — crises que estão intimamente relacionadas com todas as outras. Mas a atual degradação do meio ambiente para mim foi o mais chocante.

Protesto do movimento Rebelião ou Extinção (Extinction Rebellion) em 17 de abril 17, 2019, em Nova York, exigindo que os governos declarem emergência climática. A prefeitura de Nova York declarou (foto de Stephanie Keith/Getty Images)

Por exemplo, desde 2016, cerca de 1.400 governos locais (prefeituras e estados em 28 países), além do Parlamento Europeu e mais de dez países fora da UE, com 800 milhões de pessoas sob sua jurisdição, declararam emergência climática.

Quatro anos atrás o colapso do clima já era uma emergência. Sabia que ia piorar. Mas perceber de uma só vez a degradação massiva nesses anos sem notícias foi um nocaute. Fiquei desorientado e deprimido, sem saber muito o que fazer. Mas houve um efeito benéfico: veio à tona um verdadeiro senso de urgência — talvez impossível em uma lenta e gradual exposição às etapas do colapso, que possivelmente me deixaria um pouco calejado, cínico, insensível e indiferente.

Ideologia falida
No Brasil, não se fala muito das consequências da mudança climática. E quando se fala, falta contexto: quais são as causas? Consequências? Quais as chances de solução? Uma das razões para o assunto ser deixado de lado é que parece algo tão distante… “Vai mesmo acontecer?”

Coletivamente, temos capacidade de lidar com ameaças a longo prazo? Há estudiosos que dizem não. E há diversas outras dificuldades como desigualdade, desemprego, violência, intolerância, preconceito — problemas geralmente vistos como mais sérios que a crise do meio ambiente.

Mas lutar por uma causa específica não exclui a outra, especialmente quando as causas são basicamente as mesmas.

Apesar de todos esses outros graves entraves locais, entre eles a morte gradual de nossas florestas escancarada bem na nossa frente, a crise ambiental é uma questão global: não é algo que vai chegar aqui algumas décadas depois, como de costume. E as ações regenerativas concretizadas aqui terão igualmente efeito global.

Nossos problemas sociais se relacionam todos entre si e compartilham da mesma causa da crise ambiental: uma ideologia falida. Por ideologia, não me refiro necessariamente à política e economia, apesar de incluir isso.

Essa ideologia falida é o culto à acumulação de riqueza, ao egoísmo, ao crescimento econômico como um fim em si mesmo (e não como uma forma de distribuir bem-estar), a visão de que a natureza é apenas uma fonte de matéria-prima para as fábricas, a ideia de que deixar as empresas perseguirem o lucro como bem entenderem é a solução para todos os problemas. Cada um por si, vence o mais forte, e se precisar, puxe o tapete, antes que puxem o seu.

É uma ideologia falida porque basta olhar a situação em que nos encontramos: a promessa não se cumpriu. Não é um problema do capitalismo em si. Porque o comunismo também falhou. A obsessão individual e coletiva com a acumulação de bens materiais não deixa de ser apenas um sintoma do egoísmo, de um desamor crônico, institucionalizado.

Um exemplo comum quando se fala em crise ecológica ilustra bem essa falência: o atum-rabilho é uma espécie em extinção devido à pesca industrial. No Japão, é uma dos iguarias prediletas. Então, empresas estão “extraindo” e congelando em massa esses peixes, acelerando a extinção e na verdade aguardando ansiosamente pelo momento em que essa espécie desaparecerá dos mares. Os preços então vão disparar, gerando lucros extraordinários.

Em um sistema cujo objetivo é o ganho acima de qualquer coisa, essa é a única a fazer: alguém certamente fará, por que não se antecipar?

Já em um sistema de valores em que a natureza é vista como inseparável de nós mesmos, isso seria impensável.

É por isso que a causa ambiental apenas se soma às outras lutas, trazendo uma emergência que igualmente se aplica aos outros problemas. Ela revela e expõe a falência da ambição dominante: a cobiça por lucro. A transição que se faz urgente une e inclui todos os movimentos por mudança. Pois essa mesma sede insaciável por ganhos, pelo prazer egoísta, é que gera desigualdade, desrespeito, violência, ódio, intolerância…

Politizar a ecologia?
Então fica meio óbvio que não há como não falar em política e economia quando se examina as causas da degradação ambiental. É por isso que a causa ecológica costuma ser rotulada como um complô da esquerda. No entanto, não é preciso politizar a questão dessa maneira. A natureza é algo separado de nós? Estarmos em harmonia com nossa própria natureza é uma opção política?

O doughnut econômico: o vazamento para fora do círculo verde é o quanto está se ultrapassando os limites naturais. Vazamentos dentro do círculo são áreas deficientes na sociedade. Manter-se dentro do círculo verde é a meta: harmonia com o meio ambiente com boa distribuição de recursos e bem-estar. Saiba mais: Uma economia saudável deve ser criada para prosperar, não crescer (vídeo do TED, com legendas em português)

Há modelos econômicos nascentes bem planejados — como “doughnut economics”, decrescimento e pós-crescimento — que já estão sendo colocados em prática na Europa.

Nessa nova economia, há amplo espaço para desenvolvimento tecnológico e humano, sem a necessidade de se focar em um crescimento econômico infinito com base em recursos naturais finitos, que é o nosso contraditório, e condenado ao fracasso, modelo atual. Esse inevitável fracasso nada mais é que a falência generalizada que estamos vivenciando.

Catástrofe
Estamos cegamente nos dirigindo rumo ao colapso da civilização como conhecemos. O processo já começou. Há milhões de mortos todo ano por doenças agravadas pela mudança climática, guerras civis causadas por seca/falta de comida e o consequente êxodo de refugiados, poluição (sete milhões de mortos/ano), ondas de calor também assassinas, tornados cada vez piores, incêndios em escala sem precedentes… São problemas que só se agravam.

Não é preciso fazer nada para a coisa piorar. Basta continuarmos com nosso padrão “normal”.

Uma das principais causas de todas essas tragédias é a mudança climática provocada pelo acúmulo de gases do efeito estufa, emitidos na queima da energia necessária para satisfazer hábitos de consumo. Os gases permanecem na atmosfera por pelo menos 20 anos — isso significa que mesmo se parássemos a máquina hoje, a coisa continuaria degenerando por décadas. Daí a situação de emergência.

Isso sem mencionar a atual extinção em massa no planeta. Há consenso hoje entre biólogos que estamos já em meio à sexta grande extinção. Das outras cinco, que dizimaram entre 70% e 80% de todas as espécies na Terra, apenas a dos dinossauros não foi causada pelo acúmulo de gases do efeito estufa/aquecimento global e todas as complicações que se seguem (mas recentes descobertas apontam que um acúmulo mortal de gases do efeito estufa provenientes de rompimentos massivos de placas tectônicas já estavam em andamento antes do meteoro).

Esta sexta extinção em massa é diferente de todas as outras em um ponto: uma única espécie, que em termos da idade do planeta representa apenas a ponta de um fio de cabelo, está sendo capaz de alterar a biosfera de forma tão drástica a ponto de poder exterminar a maioria das milhões de outras espécies. Sim, nós mesmos: Homo sapiens.

Não vou entrar em todos os detalhes da catástrofe. Há amplo material sobre isso por toda parte: livros, documentários, artigos etc (referências no final do texto).

Instituições como ONU ou até o Banco Mundial têm constantemente alertado para as drásticas consequências da negligência com o aquecimento global. Por exemplo, em 2018 a ONU soltou o alerta de que temos 12 anos (agora dez) para cortar pela metade as emissões de dióxido de carbono, contendo o aquecimento em 1,5° C até 2030, e zerando-o em 2050. O objetivo é evitar um cenário ainda mais desastroso, reduzindo milhões de mortes e gastos trilionários com assistência em catástrofes.

Ceticismo
“E se aquecimento global for um mito?” Há um movimento organizado e mais ou menos bem sucedido, principalmente nos EUA, para disseminar essa ideia, minando o movimento de conscientização sobre a emergência climática.

Apesar de querer ser o mais neutro possível, não vou esconder que discordo dos “céticos”. Na verdade, não posso nem discordar, pois é um falso debate. Mas compreendo essa posição e simpatizo com a humanidade e fragilidade que temos um comum: basicamente estamos assustados, reagindo da forma que nos é possível frente a uma séria ameaça. A ideia sobre o que é essa ameaça é a única diferença entre os dois lados.

Obviamente que há setores que se beneficiam da negação do aquecimento global: basicamente indústrias que vendem energia suja, ou produtos extremamente dependentes dessa energia e exploração da natureza, como a pecuária. É por acaso que os disseminadores desse “ceticismo” têm ligação íntima com essas indústrias?

Há também os céticos que simplesmente discordam da ideologia ambientalista: menos liberdade para as empresas, mais regulamentação do governo, menos consumo…

Sobra a maioria, simplesmente desconhecendo, ou confusa em meio a essa fabricada incerteza.

E a agenda dos ambientalistas? Basicamente seria a agenda da esquerda, somada a uma conspiração para beneficiar as empresas de energia renovável, acusam os que negam o aquecimento global causado pelo ser humano.

Outro motivo comum que leva à rejeição do aquecimento global é: consumidores não querem fazer sacrifícios em seu estilo de vida (menos bens) em nome de um “possível futuro ameaçador” — diante desse dilema, a solução é concluir: “não há ameaça nenhuma”. Na verdade, os fatos e a ciência contam pouco nessa decisão, mais ou menos inconsciente. Estudos sociais sobre como humanos fazem análise de risco demonstram: nossas escolhas não são racionais. Nossas crenças e visão de mundo contam mais que os dados. Ao termos nosso estilo de vida desafiado, o primeiro instinto é contra-atacar; fatos vêm em segundo lugar.

Obviamente, que isso se aplica igualmente a nós ativistas: temos nossas ideias e é com base nisso que tomamos decisões. O que posso dizer por mim é que minha visão de mundo é moldada por um esforço constante para anular o egoísmo e cultivar o altruísmo.

Causa em comum
Nesse ponto eu admito que não há muito o que discutir: céticos não vão mudar de opinião, assim como os ambientalistas. O que sugiro são concessões que ambos podemos fazer para caminharmos para uma possível trégua, que beneficiaria a todos.

Mesmo céticos admitem que há aquecimento e há desastres naturais em maior proporção que antes. O que não aceitam é que isso é causado pela ação humana. Então poderíamos pelo menos trabalhar juntos para ajudar na solução dessas crises ambientais, como desmatamento e poluição, jamais abandonando a compaixão pelas vítimas: humanos ou animais (e por que não vegetais?), do presente e também do futuro.

Ativistas mais radicais poderiam relaxar um pouco a ideia de que os inimigos são as empresas poluidoras, que corrompem políticos e financiam negacionistas. A crise ambiental é mais complexa. Não há demônios e vilões. Todos nós usufruímos do consumo que criou esse monstro. Empresas existem porque há clientes.

Não estou negando a responsabilidade de indivíduos por trás de ações intencionalmente prejudiciais ao ambiente (e, consequentemente, a todos nós) em nome do lucro pessoal. A questão é que somos parte desse processo.

Há uma piada que responde à pergunta “e se aquecimento global for uma fraude?”: “Então teremos criado um mundo melhor por nada”. Há algo a perder?

Crise final
Outro motivo que gera descaso em relação às consequências do colapso do clima é o seguinte: ouvimos falar tanto em fim do mundo, civilização em perigo ou (a expressão corrente do momento:) “ameaça existencial”, que fica impossível acreditar nisso.

Eu mesmo às vezes vivencio uma atmosfera surreal: é como estar dentro de um filme de distopia científica. A diferença é que agora é para valer. Há até um novo gênero de auto-ajuda surgindo: como lidar com “depressão climática”, algo muito comum entre os que estão mais familiarizados com o cataclisma.

Mas são momentos assim que permitem um salto evolutivo. É agora ou nunca. Ou vai ou racha. Evoluímos ou então caímos de joelho em derrota, sucumbindo à autodestruição.

Um dos desabafos mais repetidos durante esta pandemia — que prenuncia o que está por vir, dando uma prévia das consequências de uma já perdida guerra contra a natureza — é: “não há como voltar ao normal: o normal é o problema”. Os que mais vão sofrer com as mudanças climáticas são as nações e pessoas que menos contribuíram para isso. Do mesmo modo, a pandemia do covid expõe a crueldade da desigualdade social, em que a maioria das vítimas são os desprivilegiados.

Mudança já em curso
A transição para um modo de vida menos predatório já vem se insinuando pelas bordas há anos. O problema é que não há tempo para uma mudança gradual e lenta. Compare a situação da mudança climática há dez anos e hoje. No mínimo dos mínimos, a mesma proporção exponencial de agravamento se manterá para as próximas décadas, o que já é assustador.

A urgente aceleração dessa mudança de consciência e da sociedade como um todo se resume basicamente a uma mudança radical em três esferas:

  1. a dos valores internos de cada um

  2. hábitos e atitudes

  3. e a das instituições públicas e privadas

Isoladamente a mudança em cada esfera não resolve a questão. As três precisam vir juntas, e rápido. No entanto, como é algo já em curso há décadas, o processo pode se desdobrar de modo um pouco mais fluído.

1 - Mudança interna
Desde os anos 70, se fala de uma “revolução espiritual” em curso, que promete nos redimir coletivamente. Obviamente que a espiritualidade é uma força de transformação benéfica e poderosa, mas realisticamente falando não há como ficar esperando a conversão do planeta. Não vai acontecer e nem precisa. A crise não é sobre ausência de espiritualidade, mas sim ausência de valores humanos, ou ética.

Por exemplo, amor e compaixão são vistos como valores religiosos, que pessoas descrentes não precisariam cultivar; sendo mais proveitoso desenvolver espírito competitivo, vantagens individuais, “vence o mais forte”.

Esse tipo de mentalidade infecta e contamina todos os níveis, nas múltiplas crises que vivemos hoje. É preciso substituir:

Cooperar para sobreviver

  • egoísmo por altruísmo

  • indiferença por compaixão

  • competição por cooperação

  • acumulação por compartilhamento

  • exploração da natureza por “somos a natureza”

  • exclusão por irmandade

Mudanças nesse sentido bastariam para nos salvar de nós mesmos. Esse tipo de ética são meros reflexos de nossa própria natureza, presente até em animais, mas precisam ser ativamente cultivados e exercitados, para compensar o condicionamento contrário constante.

Em relação à crise ambiental, é crucial não abandonar os seres (humanos e animais) das gerações futuras. Por instinto reflexo, essa não costuma ser uma preocupação recorrente quando analisamos os riscos de uma situação. Felizmente, podemos transcender essa limitação com nossa capacidade de reflexão e empatia.

2 - Mudança de hábitos
Valores precisam virar ações. Exemplos: qual o sentido de exigir do governo e corporações uma transição para energia limpa, se pessoalmente chafurdamos no consumismo com pegada de carbono imunda?

Ficamos chocados com o desmatamento das florestas (que em grande se deve à pecuária) mas não abrimos mão do consumo diário de carne e laticínios. Não é apenas uma questão de consistência com valores: pequenas ações obviamente impactam o coletivo, pois jamais serão ações isoladas.

No entanto, somente ações individuais não têm o poder para efetivar a transição no ritmo necessário. Talvez pudesse dar certo se a mudança tivesse começado e se consolidado há várias décadas. Agora será preciso mais pressão em conjunto.

Marcha pelo clima no Rio, em 2015

3 - Ações coletivas
Movimentos sociais sempre foram um essencial instrumento de mudança em causas urgentes, cuja lentidão na resolução custa vidas e intenso sofrimento. Para a presente crise, uma lenta e gradual evolução ideológica e social também não é uma opção.

É preciso exigir políticas do governo e pressionar corporações para que interrompam o atual ciclo de autodestruição. Por exemplo, extinguir o desmatamento, redução drástica no uso de combustíveis fósseis, investimento em energia limpa, redução da desigualdade, políticas de inclusão social etc.

Nunca houve no mundo tantos movimentos sócio-ambientais, surgidos espontaneamente. Ainda em 2006, o número dessas organizações foi estimado em um milhão. A pressão por mudança já está em curso, mas precisa ser drasticamente acelerada.

Não há tempo para pessimismo paralisante ou depressão com a falência da civilização. O mero ato de se engajar e se unir na transição já sopra um novo frescor de vida.

Saiba mais

Artigos

Movimentos

Livros
Crise ambiental

  • A terra inabitável - Uma história do futuro — David Wallace-Wells

  • Tudo pode mudar - Capitalismo versus Clima — Naomi Klein

  • On Fire: The (Burning) Case for a Green New Deal — Naomi Klein

  • Falter - Has the Human Game Begun to Play Itself Out? — Bill McKibben

  • Don’t Even Think About It - Why Our Brains Are Wired to Ignore Climate Change — George Marshall

  • A sexta extinção: Uma história não natural — Elizabeth Kolbert

Transição

  • How soon is now? — Daniel Pinchbeck

  • Blessed unrest - How the Largest Social Movement in History Is Restoring Grace, Justice, and Beauty to the World — Paul Hawken

Ética secular

  • Além da religião — Dalai Lama

  • Façam a revolução!: O apelo do dalai-lama aos jovens do século XXI


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